Para nossas exportações ao grande mercado de 700 milhões de pessoas que habitam a União Europeia, o desafio deixou de ser apenas produzir com qualidade e preço competitivo. Além desses requisitos, o Brasil terá que comprovar, por meio de dados verificáveis, onde, como e em quais condições ambientais, sanitárias e sociais cada produto foi produzido.
Esse grande mercado apresenta uma nova realidade: a tarifa pode cair, enquanto o custo de conformidade aumenta. Um exemplo é a rastreabilidade, ou seja, a capacidade de acompanhar o produto ao longo de toda a cadeia, até o consumidor ou a indústria que irá utilizá-lo.
Todo o sistema precisa estar mapeado, inclusive por meio do Cadastro Ambiental Rural. Essas exigências são necessárias para garantir a segurança dos alimentos. Examina-se toda a cadeia produtiva, o que gera custos adicionais, mas, ao mesmo tempo, funciona como um passaporte para os mercados globais.
Entre os produtos brasileiros com melhores perspectivas de exportação atualmente para a União Europeia, destacam-se três de alta prioridade: café verde, torrado, solúvel e especial, para os quais é necessário garantir rastreabilidade e controle de resíduos; soja e farelo de soja, cuja origem deve estar devidamente documentada; e celulose, papel e madeira processada, sempre observando a necessidade de certificação florestal.
Se fizermos uma análise preliminar do Estado de Santa Catarina, veremos que ele reúne condições favoráveis para ampliar as exportações de produtos industriais, madeira e alimentos.
Em 2025, Santa Catarina já exportou US$ 1,35 bilhão para a União Europeia, um crescimento de 10,66% em relação a 2024. O bloco respondeu por 11% de todas as exportações catarinenses.
Assim como apresentamos exemplos em âmbito nacional, podemos destacar três grupos de produtos catarinenses com potencial para ampliar ainda mais suas exportações: motores, geradores, transformadores e equipamentos elétricos; máquinas, equipamentos e soluções de automação industrial; e portas, móveis, molduras e painéis.
Portanto, é necessário aperfeiçoar e facilitar o acesso e o conhecimento sobre as políticas públicas voltadas à exportação. Apenas 1% das empresas que exportam são pequenas. Esse número nos leva a refletir sobre a necessidade de políticas públicas específicas para ampliar a participação dos pequenos empreendedores no comércio exterior, com incentivo do poder público e apoio à organização de consórcios de exportação. Isso pode criar novas oportunidades de geração de renda para pequenos e médios empreendedores.
Como técnicos e agentes de informação pública, temos o papel de organizar informações, emitir alertas e apoiar a preparação dos empreendedores para que possam exportar para um mercado de aproximadamente 700 milhões de habitantes.
Aplicar recursos na organização desses consórcios pode se tornar um importante instrumento de geração de renda e desenvolvimento para toda a comunidade brasileira.





