Comandada pelo patriarca, quatro filhos e novas gerações, a Fazenda Ceregatti une manejo a pasto, integração com a suinocultura e melhoramento genético de ponta no Alto Vale do Itajaí.
No interior de Pouso Redondo, no Alto Vale do Itajaí, o trabalho familiar e a paixão pela pecuária colocaram Santa Catarina no topo do pódio de uma das maiores feiras agropecuárias da América Latina. Pelo quarto ano consecutivo, a Fazenda Ceregatti volta da Expointer com títulos expressivos na raça Brahman, incluindo grandes campeonatos e, em 2026, a consagração da fêmea Miss 1122 como Reservada de Grande Campeã.
O resultado não veio por acaso: ele coroa a trajetória de uma família unida no campo, pai, mãe, quatro filhos, noras e netos, que gere um rebanho de 200 animais PO (Puro de Origem), entre matrizes, filhotes, touros jovens e reprodutores.
De Campos Novos a Pouso Redondo: raízes na pecuária
A relação da família com o gado começou muito antes da criação de animais de pista. Natural de Campos Novos (Abdon Batista), o patriarca Célio Ceregatti aprendeu a lida campeira desde o berço. Ao longo dos anos, trabalhou com gado leiteiro, corte comercial europeu e fumo, até migrar para Pouso Redondo e iniciar a transição para os zebuínos.
“Começamos com vaca de leite, depois passamos para o corte e granja de suínos. No começo nós tínhamos gado Nelore e fomos cruzando com Brahman. Quando vimos as vantagens em ganho de peso, precocidade e qualidade da raça, decidimos passar para o Brahman puro. Para nós, é um orgulho muito grande ver os quatro filhos, as noras e os netos todos juntos trabalhando aqui.” Célio Ceregatti, patriarca da família.
Sustentabilidade e manejo rústico a pasto
Diferente de sistemas convencionais de exposição, onde animais vivem exclusivamente confinados em baias, a Fazenda Ceregatti aposta na rusticidade funcional. As matrizes e animais de pista são criados predominantemente a pasto, combinando o cultivo de braquiária, Marandu, Tífton e pastagens de inverno (aveia e azevém consorciados), suplementados com silagem de milho no inverno e desmame.
Um dos pilares da fertilidade das pastagens da fazenda vem da integração da pecuária com a suinocultura. Em parceria integrada, os dejetos suínos tratados são reaproveitados via fertirrigação por carretel, transformando resíduos em adubo de alto rendimento.
“Nosso objetivo é produzir um boi funcional, e não um ‘boi de estimação’. O animal que o cliente compra aqui tem que cobrir a campo e desempenhar a função dele. As matrizes vivem a pasto. Essa integração da pecuária com a suinocultura, usando os dejetos para adubação com fertirrigação, garante pasto verde e de qualidade o ano todo.” Maurício Ceregatti, responsável pelo manejo e pastagens.
Genética de ponta e seleção de campeões
A entrada formal na criação de Brahman PO ocorreu em 2012 e, em 2017, a fazenda passou a registrar formalmente os animais na Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).
Para acelerar o melhoramento genético, a família investe em inseminação com sêmen importado dos Estados Unidos e da Colômbia, buscando linhagens funcionais que agreguem arqueamento de costelas, aprumos corretos, pigmentação e precocidade no ganho de peso.
O reflexo desse trabalho é a Miss 1122 da Ceregatti, filha de touro americano (Nieto de Manso). Aos 27 meses de idade e pesando 794 kg, a matriz foi Grande Campeã em Itajaí e Reservada de Grande Campeã na Expointer 2026.
“Na pista de julgamento, o jurado olha o animal de baixo para cima: aprumo, casco, conformação de carcaça, passagem de paleta e carnes nobres. Qualquer detalhe de pigmentação ou orelha decide um campeonato. Essa fêmea mostrou potencial desde bezerra e representou muito bem nosso plantel.” Cleverson Ceregatti, responsável pelo manejo dos reprodutores.
Além do reconhecimento nas pistas, o foco comercial da fazenda está na venda de reprodutores e matrizes PO registrados, fornecendo touros para cruzamento industrial e melhoramento genético em rebanhos do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
“Quando estamos em Santa Catarina, representamos a Fazenda Ceregatti. Mas quando cruzamos a divisa para competir no Rio Grande do Sul ou Paraná, nós representamos todos os pecuaristas catarinenses e a população de Pouso Redondo. Ganhar lá fora é levar o nome do nosso estado para o topo.” Emerson Ceregatti.
Sucessão familiar e o futuro no campo
O preparo dos animais para as exposições mobiliza a casa por semanas: banhos diários, casqueamento, tosa e acompanhamento veterinário envolvem toda a família, dos filhos às noras e netos pequenos.
“A gente começa a preparar os animais dias antes. Um lava, outro seca, outro arruma. É uma dedicação que vem dos nossos avós e que já estamos passando para os nossos filhos, como o Miguel e a Mariana. Ver a família reunida na pista quando sai o resultado é a maior recompensa.” Márcio Ceregatti.







