O alerta no mercado de fertilizantes deixou de ser apenas sobre preço. A preocupação agora é com a própria disponibilidade do produto justamente na entrada da próxima safra brasileira.
A Mosaic, maior fornecedora de fertilizantes fosfatados do país, informou que os estoques formados no início do ano estão chegando ao fim e que a escassez pode começar em setembro. A empresa já reduziu ou paralisou operações em parte de suas fábricas e colocou a unidade de Araxá, em Minas Gerais, à venda.
No centro da pressão está o enxofre, matéria-prima essencial para transformar a rocha fosfática em fertilizante. Antes do agravamento do conflito internacional, o insumo representava cerca de um quinto do preço de uma tonelada de MAP. Agora, já corresponde a aproximadamente dois terços.
A situação se agravou com o fechamento do Estreito de Ormuz, rota importante para o comércio internacional de enxofre, aumentando a dependência de alternativas logísticas e pressionando os custos.
Compra adiada pode aumentar pressão
O problema encontra o produtor em um momento de crédito mais restrito e juros elevados. Muitos agricultores adiaram a compra de fertilizantes nos últimos meses, esperando melhores condições de mercado.
Agora, essa demanda pode retornar justamente quando a oferta estiver mais apertada, aumentando a pressão sobre preços, logística e disponibilidade.
O governo anunciou R$ 4 bilhões em crédito por meio do Brasil Soberano 3, enquanto o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes busca ampliar a produção nacional. A indústria também reivindica recursos adicionais para financiar a importação emergencial de enxofre.
As projeções sobre o tamanho da possível escassez ainda divergem entre empresas e consultorias do setor. A incerteza, porém, já entra no planejamento das propriedades.
Para produtores com dificuldade de financiar toda a área, especialistas alertam que reduzir a área plantada mantendo uma adubação adequada pode ser menos prejudicial do que diminuir a dose de fertilizante em toda a lavoura. Na soja, cortes na adubação podem reduzir a produtividade entre 5% e 7%, com perdas ainda maiores em áreas novas.
O Brasil importa quase 90% dos fertilizantes que utiliza. Por isso, problemas em rotas internacionais rapidamente chegam ao custo de produção, ao calendário de plantio e à produtividade no campo.








