Ranking da Forbes reúne 37 empresários ligados ao agronegócio, que somam R$ 207,7 bilhões em patrimônio; no topo está Ricardo Faria, da Granja Faria, com fortuna estimada em R$ 35,1 bilhões
O homem mais rico do agronegócio brasileiro em 2026 construiu boa parte de sua fortuna vendendo ovos.
Ricardo Castellar de Faria, fundador da Granja Faria e controlador da Global Eggs, aparece no topo do ranking dos bilionários ligados ao agro, com patrimônio estimado em R$ 35,1 bilhões. Ele ocupa também a décima posição entre os brasileiros mais ricos do país.
O levantamento faz parte da Lista Forbes de Bilionários Brasileiros de 2026 e mostra o tamanho das fortunas construídas em diferentes partes da cadeia, dos ovos e da carne aos fertilizantes, grãos, papel e celulose, energia e logística.
Ao todo, 37 bilionários relacionados ao agronegócio acumulam R$ 207,7 bilhões, o equivalente a 11,2% dos R$ 1,86 trilhão concentrados pelos 255 brasileiros que aparecem no ranking nacional.
O “Rei do Ovo” lidera a lista
A trajetória de Ricardo Faria chama atenção não apenas pelo valor da fortuna, mas pela velocidade da expansão dos negócios.
A Granja Faria nasceu em Santa Catarina e se transformou em uma das maiores operações de ovos do país. Atualmente, o grupo possui produção distribuída por diferentes estados e avançou também para o mercado internacional.
Nos últimos anos, Faria adquiriu empresas nos Estados Unidos e na Espanha e reuniu os negócios do setor sob a Global Eggs. A empresa concentra cerca de 45 milhões de aves e trabalha com a meta de produzir 15 bilhões de ovos em 2026.
Um dos movimentos que ajudaram a elevar o valor do negócio ocorreu com a entrada da gestora americana Warburg Pincus na Global Eggs. O investimento foi de aproximadamente US$ 1 bilhão por uma participação minoritária, operação que avaliou a companhia em cerca de US$ 8 bilhões.
Irmãos Batista aparecem logo depois
Na segunda e terceira posições entre os bilionários do agro estão Joesley Batista e Wesley Batista.
Os irmãos, controladores da J&F Investimentos e ligados à JBS, possuem patrimônio estimado em R$ 21,9 bilhões cada.
A fortuna está associada à expansão internacional do grupo de proteínas, que saiu de um negócio familiar para se transformar em uma das maiores companhias de alimentos do mundo.
Logo depois aparece Alceu Elias Feldmann, fundador da Fertipar, com patrimônio estimado em R$ 19,2 bilhões.
O empresário representa outro segmento estratégico para o campo brasileiro: os fertilizantes. A Fertipar possui atuação nacional e participação relevante no mercado de insumos utilizados por diferentes cadeias agrícolas.
Veja os 10 maiores bilionários ligados ao agro
Segundo o levantamento divulgado a partir da lista da Forbes, os dez maiores patrimônios relacionados ao agronegócio brasileiro em 2026 são:
- Ricardo Castellar de Faria, Granja Faria: R$ 35,1 bilhões
- Joesley Mendonça Batista, JBS: R$ 21,9 bilhões
- Wesley Mendonça Batista, JBS: R$ 21,9 bilhões
- Alceu Elias Feldmann, Fertipar: R$ 19,2 bilhões
- Liu Ming Chung, Nine Dragons Paper: R$ 7,9 bilhões
- Blairo Borges Maggi, Amaggi: R$ 7,2 bilhões
- Hugo de Carvalho Ribeiro e família, Amaggi: R$ 7,2 bilhões
- Itamar Locks, Amaggi: R$ 6,7 bilhões
- Rubens Ometto Silveira Mello, Cosan, Raízen e Rumo: R$ 6,3 bilhões
- Marcos Molina dos Santos, MBRF: R$ 6,1 bilhões.
De onde vêm as maiores fortunas do agro?
O ranking ajuda a mostrar que o dinheiro ligado ao agronegócio brasileiro não está concentrado apenas dentro da porteira.
Entre os maiores patrimônios aparecem empresários ligados à produção de proteína animal, ovos, grãos e fertilizantes, mas também a celulose, energia, biocombustíveis e logística.
É justamente essa diversidade que ajuda a explicar o tamanho econômico da cadeia.
O Sudeste concentra o maior número de bilionários ligados ao setor, com 18 nomes e patrimônio conjunto de R$ 89,1 bilhões. O Sul aparece em seguida, com 12 bilionários e R$ 57,7 bilhões. Já o Centro-Oeste tem apenas três representantes, mas eles somam R$ 46,6 bilhões.
Como a Forbes calcula essas fortunas?
Os números não significam necessariamente que cada empresário possua aquele valor disponível em dinheiro.
A Forbes estima os patrimônios principalmente a partir das participações que os bilionários possuem nas empresas, usando informações públicas e, no caso das companhias negociadas em bolsa, os valores das ações.
Para o ranking de 2026, uma das principais referências foi a cotação de fechamento de 30 de junho.
Imóveis, aviões, embarcações, obras de arte e outros bens nem sempre entram no cálculo. Por isso, a própria Forbes ressalta que alguns patrimônios podem estar subestimados.
No fim das contas, a lista também conta uma história sobre o próprio agro brasileiro.
As maiores fortunas não foram formadas apenas pela produção de commodities. Boa parte cresceu com escala, industrialização, marcas, aquisições, logística e internacionalização.
E, em 2026, quem aparece no topo dessa história é um negócio que começou com ovos e hoje tem operações dentro e fora do Brasil.








