De 17 a 66 pontos, o que acontece quando os planos dos presidenciáveis passam pela mesma régua do agro
Depois de abrir, ler e analisar os planos de governo para o agro apresentados pelos sete presidenciáveis selecionados pelo Política e Agro, chegou a hora de colocar todos diante da mesma tabela.
E o resultado mostra diferenças importantes.
Ronaldo Caiado aparece com o plano mais completo para o agronegócio entre os documentos analisados, com 66 pontos de um total possível de 80.
Augusto Cury vem em seguida e talvez seja a principal surpresa da série. Mesmo sem trajetória política ou profissional diretamente ligada ao setor, seu programa alcançou 58 pontos, impulsionado principalmente pelas propostas para agroindustrialização, Seguro Rural, armazenagem, tecnologia, agricultura familiar e cooperativismo.
Lula aparece na terceira posição, com 54 pontos, seguido de Romeu Zema, com 52, e Flávio Bolsonaro, com 51. Renan Santos soma 41 pontos. Pablo Marçal fecha a lista, com 17.
Mas este ranking exige uma explicação importante.
O Política e Agro não está dando nota aos candidatos. Está dando nota aos documentos que eles apresentaram para o agro.
A pontuação não significa que determinada proposta seja ideologicamente melhor.
Não significa que será cumprida.
Não significa que o candidato que aparece na primeira posição será necessariamente melhor para o setor.
E, definitivamente, não é recomendação de voto.
O índice mede outra coisa:
quanto cada programa conseguiu responder, de maneira concreta, às principais questões que hoje fazem parte da política agrícola brasileira.
Como analisamos os planos de governo para o agro
Desde o início da série “O agro nos planos de quem quer governar o Brasil”, todos os presidenciáveis passaram pelas mesmas perguntas.
Não importou se o candidato era de esquerda, direita ou centro.
Também não importou se vinha do agronegócio, da política, dos negócios, da medicina ou dos movimentos sociais.
A régua foi a mesma.
Os documentos foram analisados com base nas informações disponíveis em 18 de agosto de 2026, considerando oito grandes áreas diretamente relacionadas à produção rural.
Os oito critérios analisados
| Critério | O que foi observado |
| 1. Crédito rural e endividamento | Plano Safra, juros, equalização, fontes de financiamento, garantias e resposta às dívidas acumuladas |
| 2. Seguro Rural e gestão de risco | PSR, subvenção, cobertura, seguro de renda, fundos para catástrofes e eventos climáticos |
| 3. Custos e ambiente de negócios | Tributos, insumos, energia, diesel, burocracia, juros e medidas de competitividade |
| 4. Meio ambiente e segurança jurídica | CAR, Código Florestal, licenciamento, regularização fundiária e segurança da propriedade |
| 5. Infraestrutura e armazenagem | Rodovias, ferrovias, hidrovias, portos, corredores logísticos, silos e capacidade de armazenagem |
| 6. Comércio exterior e fertilizantes | Abertura de mercados, acordos comerciais, defesa sanitária, produção de fertilizantes e dependência externa |
| 7. Pesquisa, tecnologia e inovação | Embrapa, pesquisa agropecuária, biotecnologia, inteligência artificial, conectividade, bioinsumos e agricultura de precisão |
| 8. Agricultura familiar e cooperativismo | Pronaf, assistência técnica, pequenos produtores, cooperativas, sucessão rural e acesso a mercados |
Como os pontos foram distribuídos
Cada um dos oito critérios poderia receber até dez pontos.
A pontuação foi construída a partir do grau de detalhamento apresentado no próprio programa.
0 pontos: o tema não aparece ou não existe proposta identificável.
1 a 2 pontos: há apenas referência genérica ao assunto.
3 a 4 pontos: o programa reconhece o problema e indica alguma direção.
5 a 6 pontos: existe proposta específica, mas permanecem lacunas relevantes de execução.
7 a 8 pontos: há instrumentos, mecanismos e algum grau de detalhamento, metas ou objetivos.
9 pontos: proposta estruturada, com instrumentos, metas e integração com outras políticas.
10 pontos: proposta completa, com mecanismo, meta, prazo, financiamento e execução claramente definidos.
A régua foi intencionalmente exigente.
Por isso, nenhum programa recebeu dez pontos em qualquer dos oito eixos.
Afinal, mesmo os documentos mais detalhados deixaram perguntas sobre orçamento, execução, cronograma ou regulamentação.
A matriz dos planos para o agro
Quando os sete programas são colocados lado a lado, o resultado é este:
| Plano de governo | Crédito e dívida | Seguro Rural | Custos e negócios | Ambiente e segurança jurídica | Infraestrutura e armazenagem | Comércio e fertilizantes | Tecnologia e pesquisa | Agricultura familiar e cooperativismo | TOTAL |
| Ronaldo Caiado | 7 | 9 | 6 | 9 | 9 | 9 | 9 | 8 | 66/80 |
| Augusto Cury | 6 | 7 | 6 | 7 | 8 | 7 | 8 | 9 | 58/80 |
| Lula | 6 | 7 | 5 | 6 | 5 | 8 | 8 | 9 | 54/80 |
| Romeu Zema | 3 | 7 | 8 | 9 | 8 | 7 | 7 | 3 | 52/80 |
| Flávio Bolsonaro | 6 | 5 | 7 | 9 | 8 | 7 | 6 | 3 | 51/80 |
| Renan Santos | 5 | 0 | 6 | 7 | 7 | 8 | 7 | 1 | 41/80 |
| Pablo Marçal | 1 | 0 | 5 | 4 | 2 | 1 | 3 | 1 | 17/80 |
Ranking geral de completude
Transformando a soma em percentual, o ranking dos documentos fica assim:
| Posição | Plano | Pontuação | Aproveitamento |
| 1º | Ronaldo Caiado | 66/80 | 82,5% |
| 2º | Augusto Cury | 58/80 | 72,5% |
| 3º | Lula | 54/80 | 67,5% |
| 4º | Romeu Zema | 52/80 | 65,0% |
| 5º | Flávio Bolsonaro | 51/80 | 63,8% |
| 6º | Renan Santos | 41/80 | 51,3% |
| 7º | Pablo Marçal | 17/80 | 21,3% |
O percentual é apenas a conversão da pontuação editorial para uma escala de zero a cem.
Não representa chance de cumprimento das promessas, qualidade de um eventual governo ou recomendação eleitoral.
1º Ronaldo Caiado: 66 pontos
Ronaldo Caiado termina a análise com o documento mais equilibrado entre os oito critérios.
Seu programa apresenta um Plano Safra plurianual, estrutura permanente para Seguro Rural, proposta para Fundo de Catástrofe, planejamento logístico de longo prazo, armazenagem, fertilizantes, bioinsumos, CAR, tecnologia, Embrapa e agricultura familiar.
Em várias dessas áreas, o programa não apenas reconhece o problema, mas apresenta algum instrumento para enfrentá-lo.
No Seguro Rural, por exemplo, aparecem modernização do PSR, resseguro para grandes eventos, seguro paramétrico, seguro de renda e reestruturação do Fundo de Catástrofe.
Na infraestrutura, há um programa de dez anos.
A Embrapa recebe papel central na estratégia tecnológica.
CAR e regularização ambiental também aparecem diretamente.
Mas Caiado perde pontos justamente em uma das maiores dores atuais do produtor.
Dívida rural.
Apesar de apresentar uma arquitetura mais ampla para financiamento futuro, o programa não oferece uma solução específica para o endividamento já acumulado.
E esse problema vai aparecer novamente ao longo do ranking.
2º Augusto Cury: 58 pontos
A segunda colocação é provavelmente o resultado mais inesperado da série.
Augusto Cury não tem trajetória construída dentro da política agrícola, mas seu programa dedica espaço significativo ao setor e apresenta uma visão bastante estruturada de transformação do agro.
O eixo central é a agroindustrialização.
O Brasil continuaria sendo uma potência agrícola, mas passaria a processar uma parcela muito maior da produção antes de exportá-la.
Entre as metas estão dobrar a produção de alimentos em oito a dez anos, criar condições para 10 mil agroindústrias e estimular 100 usinas de etanol de milho.
Seguro Rural, armazenagem, tecnologia, agricultura familiar e cooperativismo também recebem propostas próprias.
O programa quer ainda levar o país a mais de 10 mil cooperativas e 54 milhões de cooperados em dez anos.
É justamente o nível de detalhamento em vários desses pontos que coloca Cury na segunda posição.
Mas também há lacunas.
Não existe uma política específica para resolver o endividamento rural atual.
Plano Safra não recebe um desenho completo.
Fertilizantes ficam sem estratégia própria.
CAR recebe menos detalhamento.
E, apesar de a tecnologia ocupar papel central na chamada Agricultura 4.0, a Embrapa não ganha uma política institucional e orçamentária proporcional a essa ambição.
3º Lula: 54 pontos
O plano de Lula fica em terceiro lugar e apresenta força principalmente na estrutura tradicional de política agrícola.
Crédito rural, Seguro Rural, Embrapa, inovação, abertura de mercados, fertilizantes e agricultura familiar aparecem de maneira identificável no documento.
Um ponto relevante é que o programa reconhece expressamente o peso econômico do agronegócio para o PIB e para a balança comercial brasileira.
Na agricultura familiar, o documento é particularmente detalhado.
Pronaf, assistência técnica, compras públicas, cooperativismo, juventude rural, mulheres, bioinsumos e sucessão aparecem dentro da estratégia.
Pesquisa e tecnologia também recebem peso relevante, com fortalecimento da Embrapa, biotecnologia, edição genética, agricultura de precisão e conectividade.
O programa perde pontos, entretanto, quando a análise entra em alguns gargalos imediatos.
Não há uma política estrutural para o endividamento rural empresarial.
Armazenagem recebe pouco detalhamento.
CAR e licenciamento também não ganham respostas tão específicas quanto em alguns planos concorrentes.
E, apesar da defesa de ampliação do Seguro Rural e do crédito, faltam valores e metas mais concretas.
4º Romeu Zema: 52 pontos
Zema chega muito perto de Lula e fica dois pontos atrás.
Seu programa se destaca principalmente em ambiente de negócios, segurança jurídica, licenciamento, CAR, infraestrutura e armazenagem.
É uma visão claramente baseada em menor presença estatal, competição, capital privado, concessões e redução da burocracia.
No meio ambiente, o programa apresenta uma das agendas mais detalhadas.
Há propostas para CAR, licenciamento com prazos e critérios objetivos, regularização fundiária, mercado de carbono e segurança jurídica.
Infraestrutura e armazenagem também aparecem de forma relevante.
Zema propõe ampliar a capacidade de armazenamento e aposta fortemente em concessões, PPPs e investimento privado para logística.
Mas o programa perde pontos justamente na política agrícola tradicional.
Plano Safra e crédito rural não recebem uma arquitetura específica.
Não há solução própria para endividamento rural.
E agricultura familiar e Pronaf têm presença muito limitada.
Assim, Zema pontua muito bem naquilo que está relacionado ao ambiente econômico em torno da fazenda, mas menos nos instrumentos públicos tradicionalmente utilizados para financiar e proteger a atividade.
5º Flávio Bolsonaro: 51 pontos
Flávio Bolsonaro praticamente empata com Zema.
A diferença final é de apenas um ponto.
O programa pontua especialmente bem em segurança jurídica, CAR, licenciamento, regularização fundiária, infraestrutura e armazenagem.
Também é um dos poucos a apresentar uma proposta mais explícita relacionada à reorganização das dívidas rurais, com ferramentas de securitização e alongamento.
No ambiente regulatório, o programa defende redução da burocracia e maior previsibilidade.
Para grandes investimentos, fala em estabilidade regulatória de longo prazo.
Na infraestrutura, prevê um volume global expressivo de investimentos e corredores logísticos.
Mas há lacunas importantes.
Plano Safra e crédito rural não recebem desenho detalhado.
Seguro Rural é citado, mas sem orçamento, cobertura ou instrumento robusto para catástrofes.
A Embrapa aparece pouco.
Agricultura familiar e Pronaf não ganham política estruturada.
O resultado é um documento forte em segurança jurídica e ambiente de negócios, mas menos completo em alguns instrumentos tradicionais da política agrícola.
6º Renan Santos: 41 pontos
O plano de Renan Santos talvez apresente um dos maiores contrastes da análise.
Em algumas áreas, é bastante específico.
Em outras, praticamente não apresenta política.
O AgroBrasil 2030 coloca cinco temas no centro: propriedade rural, revisão da reforma agrária, fertilizantes, agroindustrialização e imagem do setor.
Há uma meta de chegar a pelo menos 40 mil quilômetros de malha ferroviária.
Na tecnologia, o programa conecta diretamente o agronegócio à inteligência artificial, drones, robótica e grandes bases de dados.
Fertilizantes também recebem uma agenda específica, inclusive com horizonte para reduzir dependência de determinados fornecedores internacionais.
Mas o programa praticamente zera em Seguro Rural.
Não existe uma política para o endividamento atual.
Armazenagem não recebe proposta específica.
CAR aparece pouco.
Agricultura familiar, Pronaf e cooperativismo quase não entram na versão oficial condensada analisada.
É um plano com uma visão bastante clara para algumas transformações estruturais de longo prazo, mas com muitas perguntas sobre as dificuldades financeiras imediatas do produtor.
7º Pablo Marçal: 17 pontos
Pablo Marçal fica distante dos demais na pontuação.
E o motivo não é ideológico.
É metodológico.
Seu programa possui uma agenda ampla para empreendedorismo, redução de impostos, digitalização, simplificação e redução da burocracia.
Essas propostas podem alcançar produtores rurais enquanto empresários ou empreendedores.
Mas poucas delas se transformam em política agrícola propriamente dita.
Plano Safra não ganha desenho específico.
Dívida rural não recebe solução.
Seguro Rural não aparece como política estruturada.
Armazenagem, fertilizantes, Embrapa e agricultura familiar também ficam praticamente sem respostas próprias.
O programa pontua melhor em custos e ambiente de negócios porque apresenta uma direção mais clara de redução tributária e simplificação.
Mas quando a régua exige instrumentos específicos para a produção rural, a pontuação cai.
O resultado mostra uma diferença importante:
ter uma política econômica que também alcança o produtor não é necessariamente o mesmo que apresentar uma política agrícola.
O ranking muda dependendo da pergunta
A classificação geral ajuda a medir completude.
Mas talvez o ponto mais interessante da tabela esteja justamente quando ela é desmontada por temas.
Se a pergunta for qual programa apresenta maior equilíbrio entre todos os instrumentos agrícolas, Caiado se destaca.
Se o foco for agroindustrialização e cooperativismo, Augusto Cury ganha força.
Na agricultura familiar, Lula e Cury aparecem no topo da pontuação.
Em segurança jurídica e meio ambiente, Caiado, Zema e Flávio Bolsonaro recebem as maiores notas.
Em infraestrutura, Caiado aparece à frente, enquanto Cury, Zema e Flávio também têm pontuações elevadas.
Em comércio exterior e fertilizantes, Caiado lidera, seguido por Lula e Renan Santos.
Na tecnologia e pesquisa, Caiado aparece à frente, enquanto Lula e Cury também apresentam agendas robustas.
E quando a pergunta é Seguro Rural, as diferenças ficam ainda mais claras.
Caiado lidera.
Cury, Lula e Zema apresentam políticas identificáveis.
Renan Santos e Pablo Marçal não apresentam uma política específica na documentação analisada.
Isso demonstra por que nenhum ranking deve ser lido sozinho.
O produtor pode considerar determinados temas mais importantes do que outros.
Para quem está endividado, crédito e dívida podem pesar mais.
Para quem produz numa região de alto risco climático, Seguro Rural pode ser decisivo.
Para uma cadeia dependente de exportação, logística e comércio exterior podem ter peso maior.
Para outro produtor, CAR e segurança jurídica podem ser prioridade.
A tabela mostra completude.
A escolha sobre quais temas pesam mais pertence ao eleitor.
A dívida rural é a lacuna que atravessa a eleição
Se existe uma conclusão que atravessa praticamente toda a série, ela está no endividamento.
Os candidatos discutem o futuro. Mais crédito, novas fontes privadas, fundos garantidores, Plano Safra plurianual, mercado de capitais, agroindustrialização, seguro, tecnologia.
Mas a pergunta sobre o passivo que já existe recebe muito menos respostas. Em vários programas não aparece uma política específica para recuperar produtores já endividados.
E existe uma contradição aí.
Não adianta oferecer uma nova linha de crédito para quem não consegue mais acessá-la. Não adianta discutir a próxima safra sem perguntar quem terá condições financeiras de plantá-la.
O próximo governo poderá receber um campo com enorme capacidade produtiva, mas também com produtores pressionados por juros, eventos climáticos, margens menores e dívidas acumuladas.
Essa talvez seja uma das perguntas que a campanha ainda precisará responder melhor até outubro.
Seguro Rural separa intenção de política
Outra conclusão importante é que falar sobre risco climático não significa necessariamente ter uma política de Seguro Rural.
Os documentos mostram graus muito diferentes de comprometimento com o tema. Alguns apresentam instrumentos, outros dizem que pretendem ampliar a proteção, outros praticamente não tratam do assunto.
E esta discussão não pode mais ser considerada periférica. O produtor pode utilizar tecnologia, pode ter boa gestão, investir em genética, controlar custos. Mas não controla a chuva.
Uma política agrícola moderna precisa responder também ao risco.
Armazenagem ainda perde espaço para grandes obras
Infraestrutura aparece com frequência nos programas: ferrovias, rodovias, hidrovias, portos, corredores de exportação.
Grandes projetos logísticos são politicamente visíveis e aparecem em quase todos os debates nacionais. Mas armazenagem recebe uma atenção muito menor.
E esse é um problema silencioso. Não basta retirar rapidamente a safra da região produtora. O produtor também precisa ter a possibilidade de não vendê-la imediatamente. Armazenagem significa poder de negociação.
E, apesar disso, alguns programas praticamente não apresentam uma política para o tema.
Tecnologia virou consenso, mas o papel da Embrapa não
Outro ponto interessante é que praticamente todos querem falar em tecnologia. Inteligência artificial, drones, sensores, agricultura de precisão, biotecnologia, conectividade, rastreabilidade, digitalização.
A diferença está no desenho institucional. Em alguns planos, a Embrapa aparece como peça central.
Em outros, a inovação fica mais concentrada em empresas, startups, universidades e capital privado.
Em alguns casos, a empresa pública é citada sem que o documento diga quanto receberá ou qual papel estratégico terá.
Há consenso de que o agro do futuro será mais tecnológico.
Não existe o mesmo consenso sobre quem deve liderar essa transformação.
Sete candidatos, sete visões de agro
Depois de analisar todos os documentos, uma conclusão talvez seja mais importante que o próprio ranking.
Não existe apenas uma disputa eleitoral.
Existe uma disputa sobre qual modelo de política agrícola o Brasil deverá seguir nos próximos quatro anos.
Há programas com mais Estado. Outros com menos. Há quem aposte no crédito público. Há quem queira ampliar mercado privado de financiamento.
Há quem coloque agricultura familiar no centro. Há quem priorize propriedade e segurança jurídica.
Há quem enxergue agroindustrialização como grande transformação. Há quem coloque fertilizantes como questão de soberania. Há quem aposte fortemente na tecnologia.
E há programas em que o agro aparece menos como política específica e mais como parte de uma estratégia geral para a economia.
Nenhuma dessas diferenças deveria ser escondida do produtor.
Muito menos reduzida a slogans.
A série termina, mas as perguntas continuam
Ao longo desta série, o Política e Agro tentou fazer algo simples.
Abrir o documento, ler, comparar e fazer perguntas incômodas.
Quanto haverá para crédito?
O que será feito com a dívida?
Quem vai pagar o Seguro Rural?
Como reduzir os custos?
Como resolver CAR e licenciamento?
Onde guardar a safra?
Como transportar?
Como reduzir dependência de fertilizantes?
Como abrir mercados?
Qual será o futuro da Embrapa?
E como pequenos e grandes produtores entram no projeto de país?
Ao final, a pontuação varia de 17 a 66 pontos em um máximo de 80.
Mas talvez a principal informação não esteja em quem terminou em primeiro ou em último.
Está nas lacunas.
Porque elas mostram aquilo que os candidatos ainda precisam explicar antes de pedir o voto de quem produz.
A eleição ainda não aconteceu.
Os programas ainda podem ser defendidos, aprofundados e confrontados durante a campanha.
E esse é justamente o papel desta série.
Não escolher pelo produtor.
Mas oferecer informação suficiente para que ele faça sua própria escolha.
Quem quer governar o Brasil precisa dizer, antes da eleição, o que pretende fazer com o agro.
E depois de sete planos analisados, uma coisa ficou clara:
o produtor já tem elementos para começar a cobrar respostas.
Nota metodológica
O Índice Política e Agro de Completude dos Planos para o Agro é uma avaliação editorial dos documentos de governo analisados pela redação, considerando as informações disponíveis em 18 de agosto de 2026.
Cada programa recebeu de zero a dez pontos em oito eixos: crédito rural e endividamento; Seguro Rural e gestão de risco; custos e ambiente de negócios; meio ambiente e segurança jurídica; infraestrutura e armazenagem; comércio exterior e fertilizantes; pesquisa, tecnologia e inovação; agricultura familiar e cooperativismo.
A pontuação considera presença da proposta, grau de detalhamento, existência de mecanismos, metas e respostas específicas para o problema analisado.
O índice não mede intenção de voto, ideologia, popularidade, chance de vitória ou probabilidade de cumprimento das promessas. Também não representa recomendação eleitoral do Política e Agro.
A pontuação compara exclusivamente o grau de completude dos programas apresentados e analisados sob os mesmos critérios.










