quarta-feira, 09 de setembro de 2026
Agro Agora
Dólar PTAX · BRBrasilR$ 5,1859 +0,43%Soja · SCChapecóR$ 138,00 +1,32%Milho · GORio VerdeR$ 53,40 0,00%Milho · MTCáceresR$ 52,80 0,00%Milho · MSCampo GrandeR$ 73,80 0,00%Milho · SPAvaréR$ 61,80 0,00%

Agronegócio

El Niño coloca safra em alerta: Sul enfrenta temporais enquanto Centro do país espera chuva

Sul enfrenta chuva intensa e temporais, enquanto áreas do Centro do país aguardam regularização das precipitações para avançar no plantio.

El Niño coloca safra em alerta: Sul enfrenta temporais enquanto Centro do país espera chuva
Divulgação

Previsão indica volumes superiores a 100 mm no Centro-Sul nesta semana, enquanto áreas do Brasil Central seguem sob calor e irregularidade das precipitações

A safra 2026/27 começa a avançar sob um cenário climático que exige atenção em duas frentes. Enquanto produtores do Sul voltam a enfrentar risco de chuva volumosa, tempestades, granizo e ventos fortes, áreas importantes do Brasil Central ainda convivem com calor, baixa umidade e a necessidade de chuvas regulares para dar segurança ao avanço do plantio.

A situação ocorre justamente quando o El Niño se fortalece. O último boletim conjunto divulgado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), INPE e outros órgãos federais aponta probabilidade superior a 90% de o fenômeno atingir intensidade muito forte no trimestre entre setembro e novembro. Os modelos indicam ainda 100% de probabilidade de permanência do El Niño pelo menos até o início de 2027.

Para o produtor, portanto, a preocupação não está apenas no tamanho que o El Niño poderá atingir nos próximos meses. Os primeiros riscos já aparecem justamente durante a implantação da nova safra.

Mais de 100 mm e risco de tempestades no Centro-Sul

A previsão do INMET para o período de 8 a 15 de setembro indica que os maiores volumes de chuva devem se concentrar nas regiões Sul e Sudeste.

Entre o extremo norte do Rio Grande do Sul e o sudeste de São Paulo, os acumulados podem superar 100 milímetros. Santa Catarina e Paraná aparecem entre as áreas com previsão dos maiores volumes durante a semana.

Além da quantidade de chuva, preocupa a intensidade dos eventos.

Para esta quarta e quinta-feira, áreas de baixa pressão e um cavado atmosférico mantêm condições de instabilidade no centro-sul do país. Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Mato Grosso do Sul estão entre os estados com possibilidade de tempestades, rajadas de vento e ocorrência de granizo.

No campo, excesso de umidade em períodos críticos pode dificultar operações, comprometer a qualidade de culturas de inverno e aumentar a pressão de doenças. O problema não está apenas em quanto chove no mês, mas na concentração dessa chuva em poucos dias e na repetição de eventos severos.

El Niño aumenta atenção sobre o Sul

O cenário desta semana também precisa ser observado dentro de uma tendência mais longa.

A previsão climática para setembro, outubro e novembro indica maior probabilidade de chuva acima da média histórica em áreas da Região Sul, especialmente no Rio Grande do Sul, além de partes de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

É um comportamento associado historicamente ao El Niño, mas isso não significa que cada temporal ou episódio de chuva possa ser atribuído diretamente ao fenômeno.

O que o El Niño faz é alterar o padrão climático e aumentar a probabilidade de determinadas condições ao longo de períodos maiores.

Para a agricultura, essa diferença importa. Uma previsão sazonal não diz exatamente em qual propriedade haverá granizo ou em que dia ocorrerá excesso de chuva, mas ajuda o produtor a entender que o risco climático estará mais elevado durante etapas importantes da safra.

Do outro lado, a preocupação é saber quando a chuva vai firmar

Enquanto parte do Sul olha para o céu preocupada com excesso de água, o cenário é diferente em áreas do Brasil Central.

O boletim do El Niño aponta maior probabilidade de chuvas abaixo da média no centro-norte do país durante o trimestre. Mato Grosso, Tocantins, norte de Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo aparecem entre as áreas que merecem atenção.

A previsão também indica temperaturas acima da média em praticamente todo o Brasil.

Para esta semana, o contraste fica evidente. Enquanto Sul e parte do Sudeste recebem volumes elevados, o tempo seco, quente e com baixa umidade continua predominando no Matopiba, principalmente em Tocantins, centro-sul do Maranhão e Piauí e oeste da Bahia.

Esse cenário coloca uma questão importante para o início da safra: chuva isolada não significa necessariamente estabelecimento da estação chuvosa.

Para culturas de verão, especialmente a soja, não basta chover o suficiente para permitir a semeadura. É necessário que exista umidade no solo e continuidade das precipitações para garantir germinação e estabelecimento adequado das plantas.

Plantar depois de uma chuva pontual e enfrentar vários dias de calor e tempo seco logo em seguida pode obrigar o produtor a replantar áreas e aumentar custos logo no começo da temporada.

Safra começa entre dois extremos

O desenho climático que começa a aparecer reforça por que o El Niño precisa entrar no planejamento da safra antes que seus impactos apareçam na produtividade.

No Sul, o produtor precisa acompanhar excesso de umidade, tempestades, granizo e janelas menores para realizar operações no campo.

Em partes do Centro-Oeste e do Matopiba, a preocupação é outra: calor, baixa umidade e regularização das chuvas.

E ainda existe um terceiro fator. O boletim oficial alerta que a combinação entre temperaturas elevadas, estiagem prolongada e eventual atraso da estação chuvosa aumenta o risco de queimadas no centro e no norte do país.

São problemas diferentes produzindo a mesma consequência: mais incerteza para uma safra que está apenas começando.

O maior risco desta safra pode estar no céu

Ainda é cedo para transformar as previsões climáticas em estimativas de perdas. Um El Niño muito forte não significa automaticamente quebra de safra, assim como chuva acima ou abaixo da média não produz o mesmo efeito em todas as culturas e regiões.

Mas ignorar o sinal climático também seria um erro.

Com mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte entre setembro e novembro, o produtor entra na safra 2026/27 sabendo que a gestão de risco terá peso ainda maior.

Escolha da janela de plantio, acompanhamento da umidade do solo, manejo fitossanitário, seguro rural e capacidade de reagir rapidamente aos eventos extremos passam a fazer parte de uma mesma conta.

No Sul, pode faltar janela entre uma chuva e outra. No Centro do país, pode faltar justamente a chuva necessária para avançar com segurança.

A safra está começando, mas o clima já deixou claro que não deve dar muito espaço para erro.

Afinidade de tema

Continue lendo

Atualização contínua

Últimas notícias