Participação catarinense na feira reuniu mais de cem produtores e cabanhas, produtos de agroindústrias e cooperativas e mostrou como o status sanitário ajuda a pecuária do Estado a circular e competir fora de SC
Santa Catarina encerrou a participação na Expointer 2026 com 65 animais premiados, mais de cem produtores rurais e cabanhas representados nas competições e uma vitrine de produtos que foi da Linguiça Blumenau aos queijos, bebidas, maçãs, doces e cereais produzidos no Estado.
Mais do que marcar presença na maior feira agropecuária do Rio Grande do Sul, realizada entre 29 de agosto e 6 de setembro, em Esteio, os resultados ajudam a mostrar algo importante para o agro catarinense: o patrimônio sanitário construído pelo Estado não fica restrito aos certificados. Ele interfere na circulação dos animais, na comercialização de genética e na capacidade de acessar mercados.
A participação também serviu para colocar em discussão problemas que continuam pressionando algumas cadeias, entre eles a situação da produção leiteira e as exigências sanitárias impostas pelos mercados compradores.
65 animais catarinenses saíram premiados
O resultado mais visível veio das pistas da Expointer.
Ao todo, animais de propriedades catarinenses conquistaram 65 premiações. Foram 46 bovinos, 13 ovinos, três caprinos e três equinos reconhecidos nas competições realizadas durante a feira.
Entre os destaques aparecem a Cabanha São Chico, de Água Doce, com premiações em diferentes raças; a Fazenda Sonho e Realidade e Família, também de Água Doce, na raça Simental; e a Fazenda Mãe Rainha, de Lages, nas raças Braford e Brangus.
Outro exemplo veio de São Joaquim. O produtor Marquinhos Pagani participou da Expointer pelo segundo ano consecutivo e conquistou, na raça Ultrablack, os títulos de Grande Campeão e Reservado de Grande Campeão entre os machos, além de Reservada Grande Campeã na categoria fêmeas.
Para Pagani, o resultado começa muito antes da entrada do animal na pista.
“Esse resultado é fruto do trabalho do dia a dia, da escolha correta da genética e do cuidado com a nutrição, para chegar à feira e apresentar animais com essa qualidade”, afirmou.
Sanidade virou ativo para a pecuária catarinense
A presença crescente de animais de Santa Catarina na Expointer também tem relação com uma condição sanitária construída ao longo de décadas.
Santa Catarina é reconhecida como área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2007 e livre de peste suína clássica desde 1994. O Rio Grande do Sul alcançou o reconhecimento de zona livre de febre aftosa sem vacinação em 2021, facilitando o trânsito de animais entre os dois estados dentro das regras sanitárias estabelecidas.
Na prática, isso abre espaço não apenas para participação em exposições, mas para negócios envolvendo animais e genética.
É o que relata Maurício Ceregatti, sócio da Fazenda Ceregatti, de Pouso Redondo. A propriedade participa das competições de zebuínos da raça Brahman e está presente na Expointer há três anos.
Segundo ele, a condição sanitária ampliou as possibilidades comerciais na Região Sul, permitindo troca de genética e comercialização de animais para estados como Paraná e Rio Grande do Sul.
A movimentação exige procedimentos como a emissão da Guia de Trânsito Animal (GTA), e a Cidasc presta atendimento aos produtores catarinenses para o cumprimento dessas exigências.
Produtos catarinenses também ganharam vitrine
A participação de Santa Catarina não ficou restrita às pistas.
A Casa do Produtor Catarinense reuniu produtos de 14 empresas, quatro cooperativas e duas associações de produtores durante a Expointer.
O espaço apresentou alimentos produzidos no Estado, entre eles a Linguiça Blumenau, que possui registro de Indicação Geográfica, além de queijos, bebidas, maçãs, doces e cereais.
A estrutura também funcionou como ponto de apoio aos produtores catarinenses que participaram das competições.
Santa Catarina está presente na Expointer desde a primeira edição da feira. Atualmente, a Casa do Produtor Catarinense é administrada pela Cidasc em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária e a Faesc.
Do prêmio na pista ao acesso a mercados
Por trás das medalhas e dos produtos apresentados ao público, há uma discussão econômica maior.
O status sanitário é um dos fatores que permitem a Santa Catarina acessar mercados nacionais e internacionais mais exigentes, especialmente nas cadeias de proteína animal. Por isso, manter controles sobre doenças, trânsito de animais, inspeção e rastreabilidade tem impacto direto sobre a competitividade do setor.
A presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, destacou durante a feira que a defesa agropecuária envolve saúde animal, vegetal, ambiental e humana. Já o presidente da Faesc, José Zeferino Pedrozo, ressaltou que preservar o status sanitário exige atuação conjunta dos órgãos públicos, produtores e agroindústrias.
É uma relação que aparece de maneira bastante prática quando um animal catarinense pode entrar em uma feira de outro estado, competir, ser comercializado e levar genética para novas propriedades.
Leite e exigências dos compradores entram na discussão
A Expointer também serviu para reuniões entre representantes da produção e dirigentes da Cidasc, da Secretaria da Agricultura e da Faesc.
Entre os assuntos discutidos estiveram a situação da cadeia leiteira e o aprimoramento dos controles sanitários necessários para atender às exigências de países importadores.
São temas menos visíveis do que os grandes campeões apresentados nas pistas, mas com impacto direto sobre o produtor.
A participação catarinense na Expointer terminou, portanto, com troféus, exposição de produtos e negócios, mas também com uma mensagem que vai além da feira: genética abre mercado, qualidade ajuda a vender e sanidade é parte da competitividade do agro catarinense.







