terça-feira, 01 de setembro de 2026
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Pecuária

Auditoria da União Europeia aumenta pressão sobre exportações brasileiras antes de setembro

Brasil tenta comprovar conformidade com novas regras europeias sobre antimicrobianos e preservar embarques de produtos de origem animal.

Auditoria da União Europeia aumenta pressão sobre exportações brasileiras antes de setembro
Divulgação

Brasil tenta demonstrar conformidade com novas regras sobre antimicrobianos enquanto União Europeia se prepara para aplicar, a partir de 3 de setembro, exigências que podem restringir embarques de produtos de origem animal

O Brasil entra na reta final de agosto sob pressão para preservar o acesso de produtos de origem animal ao mercado da União Europeia.

As autoridades europeias analisam os controles brasileiros sobre o uso de antimicrobianos na produção animal, enquanto o governo tenta comprovar que os mecanismos adotados no país atendem às novas exigências do bloco.

O prazo é curto. A partir de 3 de setembro, passam a valer plenamente regras que condicionam a entrada de determinados animais e produtos de origem animal ao cumprimento das normas europeias relacionadas ao uso de antimicrobianos.

O Ministério da Agricultura e Pecuária afirma que mantém tratativas técnicas com a União Europeia e sustenta que o Brasil não pediu flexibilização das exigências. Segundo o Mapa, a posição brasileira é de que o sistema nacional possui capacidade para atender aos requisitos sanitários exigidos pelos mercados importadores.

União Europeia exige garantias sobre uso de antimicrobianos

A discussão começou depois que o Brasil foi retirado da lista de países autorizados a exportar determinadas categorias de produtos de origem animal ao bloco europeu.

A decisão foi associada à avaliação de que o país não havia apresentado garantias suficientes sobre os mecanismos de controle do uso de antimicrobianos na produção destinada ao mercado europeu.

Entre os produtos potencialmente alcançados pela medida estão carne bovina, carne de aves, carne equina, pescado, mel e tripas. A aplicação plena está prevista para 3 de setembro.

As normas europeias proíbem o uso de determinados antimicrobianos para promoção de crescimento ou aumento de rendimento dos animais e também restringem substâncias consideradas importantes para o tratamento de infecções humanas.

Na prática, o desafio para o Brasil não é apenas afirmar que cumpre as regras.

Será necessário demonstrar, por meio de documentação, sistemas oficiais de controle e rastreabilidade, que os animais e produtos destinados à União Europeia foram produzidos dentro dos parâmetros exigidos.

Auditoria avalia controles brasileiros

É nesse contexto que as autoridades europeias analisam os sistemas brasileiros de controle.

A avaliação busca verificar se os mecanismos adotados pelo Brasil são suficientes para garantir que os produtos exportados respeitem as novas exigências.

O governo brasileiro tem mantido diálogo com a União Europeia e argumenta que não existem razões técnicas que justifiquem uma restrição ampla às exportações.

A expectativa oficial é de que eventuais divergências possam ser tratadas tecnicamente, com ajustes nos mecanismos de certificação e controle.

Até 23 de julho, o Ministério da Agricultura informou que as autoridades europeias ainda não haviam apresentado uma manifestação conclusiva sobre a documentação técnica encaminhada pelo Brasil.

Mercado europeu ganha importância para o Brasil

A indefinição ocorre justamente em um momento de crescimento das relações comerciais entre Brasil e União Europeia.

No acumulado entre janeiro e julho de 2026, as exportações brasileiras para o bloco cresceram 11% na comparação com o mesmo período do ano anterior e alcançaram US$ 31,59 bilhões.

No mesmo período, as importações brasileiras de produtos europeus somaram US$ 29,28 bilhões, deixando superávit de US$ 2,31 bilhões para o Brasil.

Para o agronegócio, o mercado europeu é estratégico não apenas pelo volume das compras, mas também pelo peso das exigências sanitárias e ambientais que o bloco costuma estabelecer.

Mudanças regulatórias adotadas pela União Europeia frequentemente se tornam referência para outros mercados e podem exigir adaptações importantes nas cadeias exportadoras.

Rastreabilidade passa a ser ponto central

O principal desafio para algumas cadeias brasileiras está na capacidade de demonstrar o histórico da produção.

No caso da carne bovina, por exemplo, um animal pode passar pelas etapas de cria, recria e engorda em propriedades diferentes antes de chegar ao frigorífico.

Para cumprir determinadas exigências europeias, será necessário garantir que as informações relacionadas ao uso de medicamentos acompanhem o animal ao longo de todo esse percurso.

Em cadeias mais integradas, como a avicultura, a estrutura produtiva pode facilitar a implementação de controles, mas a comprovação também depende de registros confiáveis e auditáveis.

O debate, portanto, vai além da sanidade do produto final.

A União Europeia quer saber como aquele alimento foi produzido, quais medicamentos foram utilizados, quem fez o controle e se existe documentação suficiente para comprovar o cumprimento das regras.

Exportações continuam enquanto negociação avança

Apesar da proximidade do prazo, as exportações brasileiras seguem ocorrendo enquanto as tratativas técnicas continuam.

O governo tenta reverter a retirada do país da lista de países autorizados e preservar o fluxo comercial com um mercado para o qual o Brasil exporta produtos de origem animal há décadas.

Caso as garantias apresentadas não sejam consideradas suficientes, algumas categorias de produtos podem enfrentar restrições a partir de setembro.

Nesse cenário, a retomada dependeria da demonstração de conformidade e de uma nova avaliação pelas autoridades europeias.

É por isso que os próximos dias são considerados decisivos.

Exigências europeias vão além da proteína animal

A preocupação do agronegócio brasileiro com a União Europeia não se limita aos antimicrobianos.

O bloco também avança em regras ambientais, de rastreabilidade e de origem dos produtos.

Essas exigências podem alcançar cadeias como soja, café, cacau, madeira e carne bovina, ampliando a necessidade de sistemas capazes de comprovar como e onde os produtos foram produzidos.

O movimento mostra uma mudança importante no comércio internacional.

Preço, produtividade e escala continuam decisivos, mas já não são suficientes para garantir acesso aos mercados mais exigentes.

Cada vez mais, será necessário provar que a produção atende às regras sanitárias, ambientais e de rastreabilidade definidas pelos compradores.

Para o Brasil, o desafio de setembro é imediato: demonstrar à União Europeia que seus controles sobre antimicrobianos são suficientes para manter abertas as portas de um mercado que continua crescendo em importância para o agronegócio nacional.

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