segunda-feira, 31 de agosto de 2026
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Eleições 2026

Plano de Pablo Marçal para o agro aposta em menos impostos e empreendedorismo, mas deixa política agrícola sem detalhamento

Programa aposta em redução de impostos, empreendedorismo e digitalização, mas deixa crédito rural, Seguro Rural, armazenagem, fertilizantes e Embrapa sem políticas específicas.

Plano de Pablo Marçal para o agro aposta em menos impostos e empreendedorismo, mas deixa política agrícola sem detalhamento
Divulgação

ELEIÇÕES 2026 | O AGRO NOS PLANOS DE QUEM QUER GOVERNAR O BRASIL

Esta reportagem integra a série especial Eleições 2026 do Política e Agro, que analisa, com os mesmos critérios, os planos de governo dos presidenciáveis para o agro brasileiro.

Pablo Marçal (PRTB): Empresário e influenciador digital, teve a candidatura à Presidência protocolada pelo PRTB, mas, na data desta análise, o registro ainda dependia de decisão da Justiça Eleitoral.

Programa protocolado em 18 de agosto reúne mais de 230 propostas e aposta em redução tributária, empreendedorismo e digitalização; crédito rural, Seguro Rural, armazenagem, fertilizantes e Embrapa aparecem sem uma política específica para o campo.

Reduzir impostos, facilitar a vida de quem empreende e diminuir a burocracia do Estado.

É principalmente por essa porta que o produtor rural entra no plano de Pablo Marçal para o agro em 2026.

O documento foi protocolado em 18 de agosto, no mesmo dia em que esta análise do Política e Agro foi realizada. São 28 páginas, organizadas em sete grandes “missões”, que reúnem mais de 230 propostas. Na primeira leitura do documento, boa parte dos itens aparece sem estimativa de custo, fonte de financiamento ou prazo de execução.

O recorte de data é importante. Todos os planos desta série foram analisados pelo Política e Agro em 18 de agosto de 2026, considerando as propostas disponíveis até aquele momento. No caso de Marçal, o programa chegou praticamente junto com o fechamento desta análise.

E há outra particularidade.

Diferentemente de candidatos que apresentam capítulos estruturados especificamente para o agronegócio, a primeira leitura do plano de Marçal mostra o campo inserido principalmente em uma agenda econômica mais ampla de empreendedorismo, redução tributária, digitalização e enxugamento da máquina pública.

O documento apresenta propostas ambientais, econômicas e empresariais que podem alcançar o produtor rural, mas deixa sem detalhamento específico vários dos principais instrumentos da política agrícola brasileira.

Plano Safra, endividamento rural, Seguro Rural, armazenagem, pesquisa agropecuária e fertilizantes estão entre as questões que ainda exigem respostas mais claras.

Quem é Pablo Marçal

Pablo Henrique Costa Marçal nasceu em 18 de abril de 1987, em Goiânia, e tem 39 anos. É empresário e influenciador digital e declarou à Justiça Eleitoral ocupação de diretor de empresas e ensino superior completo.

Ganhou projeção política nacional principalmente durante a eleição municipal de São Paulo em 2024, quando disputou a prefeitura da capital paulista e terminou o primeiro turno em terceiro lugar.

Antes disso, tentou participar da disputa presidencial de 2022 pelo Pros e também concorreu a deputado federal por São Paulo.

Em 2026, o PRTB protocolou seu pedido de candidatura à Presidência.

Mas existe uma condição jurídica importante.

Na data desta análise, 18 de agosto, o pedido de registro de Pablo Marçal ainda aguardava julgamento da Justiça Eleitoral.

Marçal tem decisões de inelegibilidade decorrentes da eleição municipal de 2024 e precisa reverter ou suspender essas condenações para conseguir efetivamente disputar a Presidência. Uma decisão provisória permitiu sua filiação retroativa ao PRTB e abriu caminho para o registro, mas isso não significa deferimento definitivo da candidatura.

Enquanto o registro não é julgado definitivamente, ele pode continuar praticando atos de campanha.

Empreendedorismo aparece antes de uma política específica para o agro

O ponto de partida do programa de Marçal é diferente do encontrado em alguns dos outros planos analisados nesta série.

A candidatura apresenta uma agenda voltada principalmente à chamada “empresarização” do país.

Entre as propostas estão a criação de um Ministério da Empresarização, abertura de empresas utilizando CPF Digital em até 24 horas e incentivos tributários para novos negócios. O programa também fala em redução progressiva de impostos incidentes sobre produção, investimento e geração de empregos.

Esse ambiente econômico teria impacto também sobre quem produz no campo. Produtores rurais, agroindústrias, prestadores de serviços, empresas de tecnologia agrícola e outros negócios ligados ao setor poderiam ser alcançados por medidas gerais de simplificação tributária e redução de burocracia.

Mas existe uma diferença importante.

Uma política para quem empreende não é, necessariamente, uma política agrícola.

É justamente quando a análise entra nos instrumentos específicos do campo que começam a aparecer as principais lacunas do programa.

Crédito rural e Plano Safra ficam sem desenho específico

O financiamento da produção é uma delas.

Nas propostas identificadas até o fechamento desta análise, não aparece um desenho específico para o Plano Safra nem uma arquitetura própria para o crédito rural.

O programa apresenta diretrizes econômicas amplas, como redução da relação entre dívida pública e PIB, revisão permanente das despesas do governo e diminuição progressiva dos tributos incidentes sobre produção e investimento.

Mas isso ainda não responde a perguntas básicas para quem planta.

Qual será o volume de crédito rural? Haverá recursos equalizados pelo Tesouro? Quais seriam as taxas para custeio e investimento? Como seriam financiadas máquinas, armazenagem, irrigação e tecnologia? Qual seria o papel dos bancos públicos, cooperativas e mercado de capitais?

Até o fechamento desta reportagem, essas respostas não estavam detalhadas.

A candidatura apresenta uma visão para melhorar o ambiente econômico de quem produz. Ainda precisa transformá-la em uma proposta de financiamento para a safra.

Dívida rural também fica sem política própria

O mesmo vale para o endividamento rural.

O plano estabelece como objetivo reduzir a dívida pública brasileira em relação ao PIB. Mas é importante separar as duas coisas.

Dívida pública é uma questão fiscal do Estado. Dívida rural é o passivo financeiro do produtor.

Até esta análise, não foi identificada uma política específica para renegociação, alongamento, securitização ou recuperação financeira de produtores endividados.

Esse é um ponto especialmente relevante na atual conjuntura do campo. Uma proposta econômica pode melhorar as condições futuras de juros e investimento, mas existe uma pergunta anterior:

o que fazer com o produtor que já chega à próxima safra sem capacidade de tomar novo crédito?

O programa ainda precisa responder.

Seguro Rural não ganha proposta específica no plano de Marçal

Outro instrumento central da política agrícola que aparece sem detalhamento é o Seguro Rural.

Até o fechamento desta análise, não havia sido identificada uma proposta específica para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural.

Também não aparecem metas claras para área segurada, orçamento da subvenção, seguro de renda ou criação de um mecanismo específico para grandes catástrofes climáticas.

Isso é relevante porque o risco climático deixou de ser uma preocupação eventual para se tornar parte central do planejamento da produção. Seca, excesso de chuva, granizo, enchentes e quebras regionais de safra podem comprometer em poucos dias o resultado financeiro de um ciclo inteiro.

Por isso, uma política agrícola precisa responder não apenas como financiar a produção, mas também como proteger o produtor quando a produção dá errado.

Essa resposta ainda precisa ser desenvolvida no programa de Marçal.

Custos do agro: redução de impostos é uma das propostas mais claras

Quando o assunto é custo e ambiente de negócios, o plano é mais objetivo.

Marçal promete reduzir progressivamente tributos sobre produção, investimento e geração de empregos.

Também defende revisão permanente dos gastos públicos e simplificação para abertura e funcionamento das empresas. A criação do Ministério da Empresarização está inserida nessa estratégia.

Para o produtor, isso pode ter reflexos sobre carga tributária, contratação, investimentos e formalização de negócios.

Mas novamente falta o recorte específico do campo.

O programa não detalha como pretende enfrentar individualmente componentes importantes da planilha rural, como diesel, energia, frete, máquinas e insumos.

Também falta explicar qual seria o impacto fiscal das reduções tributárias propostas.

Na primeira análise do programa, grande parte das mais de 230 medidas aparece sem fonte de financiamento, prazo ou estimativa de custo.

A redução de impostos está entre os compromissos mais claros. A conta para executar essa redução ainda precisa ser apresentada.

Meio ambiente tem carbono e serviços ambientais; CAR fica sem detalhamento

Na agenda ambiental, o plano apresenta alguns pontos concretos.

Marçal promete combater o desmatamento ilegal, regulamentar o mercado de carbono e remunerar serviços ambientais.

São temas que podem produzir efeitos diretos sobre o agronegócio. Um mercado de carbono estruturado pode transformar conservação, recuperação de áreas e práticas de baixa emissão em novas fontes de receita. O pagamento por serviços ambientais também pode remunerar produtores pela preservação.

O documento ainda assume compromissos relacionados aos direitos constitucionais de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais e à regularização fundiária dos territórios reconhecidos desses grupos.

Mas, pela régua do produtor rural, ainda faltam algumas peças.

Até o fechamento desta análise, não havia uma política detalhada para acelerar a validação do Cadastro Ambiental Rural, o CAR, nem para os Programas de Regularização Ambiental.

Também não aparece um desenho específico para o licenciamento ambiental de empreendimentos ligados à produção agropecuária.

Carbono e serviços ambientais estão na agenda. CAR, licenciamento e regularização ambiental da propriedade produtiva ainda precisam de maior detalhamento.

Logística e armazenagem ficam sem estratégia específica para o agro

Infraestrutura é uma das áreas em que a ausência de uma política setorial fica mais evidente.

Até o fechamento desta análise, não havia sido identificada uma estratégia própria para o escoamento da produção agropecuária.

O plano não detalha metas para corredores logísticos do agro, rodovias ligadas a áreas produtoras, ferrovias de carga, hidrovias ou portos destinados ao escoamento das safras.

Também não há uma meta específica para armazenagem.

Esse é um ponto importante porque a deficiência de silos não é apenas um problema logístico. Afeta diretamente a renda.

Quando o produtor não tem capacidade para guardar o que colheu, muitas vezes precisa vender justamente no período de maior oferta. Isso reduz sua liberdade para escolher o melhor momento de comercialização.

Por isso, fica uma pergunta básica para a candidatura:

qual é o plano para tirar a produção da fazenda, armazená-la e fazê-la chegar ao mercado com menor custo?

Até 18 de agosto, essa resposta não estava detalhada.

Fertilizantes e abertura de mercados também precisam entrar na política para o agro

O Brasil depende fortemente da importação de fertilizantes. Por isso, política de insumos é uma das perguntas aplicadas pelo Política e Agro a todos os presidenciáveis.

Na versão analisada do programa de Marçal, não foi identificada uma estratégia específica para ampliar a produção brasileira de fertilizantes ou reduzir a dependência das importações.

Também não aparece uma política setorial detalhada para bioinsumos.

No comércio exterior, a primeira leitura não mostra uma estratégia agropecuária específica para abertura de mercados, fortalecimento de adidos agrícolas ou negociações sanitárias e fitossanitárias.

Isso não significa ausência de uma política econômica internacional no programa como um todo.

Significa que, para o produtor, ainda falta responder quais serão os instrumentos utilizados para defender e ampliar os mercados da produção agropecuária brasileira.

Tecnologia aparece na gestão, mas Embrapa fica sem política própria

Digitalização ocupa espaço importante na visão de modernização do Estado apresentada por Marçal.

CPF Digital, abertura rápida de empresas e simplificação de processos estão entre as propostas apresentadas.

Mas tecnologia aplicada à burocracia não é a mesma coisa que pesquisa agropecuária.

Até o fechamento desta análise, o plano não apresentava uma política específica para a Embrapa ou uma meta de investimento em pesquisa agrícola.

Também faltam propostas mais detalhadas para áreas como desenvolvimento de cultivares, genética, bioinsumos, agricultura de precisão e conectividade rural dentro de uma estratégia nacional voltada ao setor.

Isso deixa uma pergunta importante:

qual será o papel da ciência agropecuária dentro de um governo que coloca inovação e empreendedorismo entre suas prioridades?

Agricultura familiar também precisa de maior detalhamento

A agenda de empreendedorismo pode alcançar pequenos produtores.

Mas isso não substitui necessariamente instrumentos específicos destinados à agricultura familiar.

Na análise realizada em 18 de agosto, não foi identificado um desenho próprio para Pronaf, assistência técnica e extensão rural, cooperativismo, compras públicas, sucessão rural ou comercialização da produção familiar.

O pequeno agricultor pode ser empresário. Pode empreender. Pode se beneficiar de menos burocracia.

Mas também enfrenta problemas específicos de escala, acesso a crédito, assistência técnica e mercado.

Por isso, a candidatura ainda precisa explicar qual será a política destinada especificamente a esse segmento.

O que o plano de Pablo Marçal ainda não responde ao produtor

Depois de passar o documento pela mesma régua aplicada aos demais presidenciáveis da série, as principais dúvidas se concentram justamente nos instrumentos da política agrícola.

Qual será o futuro do Plano Safra e do crédito rural?

Como será enfrentado o endividamento dos produtores?

Qual será a proposta para o Seguro Rural?

Como o governo pretende ampliar a armazenagem e reduzir o custo logístico?

Qual será a estratégia para fertilizantes e abertura de novos mercados?

Como ficarão CAR, licenciamento e regularização ambiental?

Qual será a política para Embrapa, pesquisa agropecuária e agricultura familiar?

E há uma pergunta que atravessa o programa inteiro:

quanto custarão as propostas, de onde virá o dinheiro e em quanto tempo serão executadas?

O documento protocolado em 18 de agosto reúne mais de 230 itens em 28 páginas e, na análise inicial realizada após sua apresentação, grande parte das medidas não traz estimativa de custo, fonte de financiamento ou prazo.

O retrato do plano de Pablo Marçal para o agro

O programa de Pablo Marçal apresenta uma direção mais definida em empreendedorismo, redução tributária, digitalização e diminuição da burocracia.

São propostas que podem atingir diretamente o produtor rural enquanto empreendedor e agente econômico.

O plano também coloca na agenda temas ambientais relevantes para o campo, como mercado de carbono, pagamento por serviços ambientais e combate ao desmatamento ilegal.

Mas, quando a análise entra nos instrumentos específicos da política agrícola, o detalhamento diminui.

Plano Safra, crédito rural, endividamento, Seguro Rural, armazenagem, fertilizantes, CAR, licenciamento, Embrapa e agricultura familiar ainda precisam de respostas mais específicas.

O retrato, portanto, é de um programa que apresenta uma proposta econômica geral para facilitar a atividade de quem produz e empreende, mas ainda precisa transformar essa visão em uma política agrícola capaz de responder aos problemas específicos de quem está dentro da porteira.

Há ainda uma particularidade que precisa ser considerada.

Na data em que todos os programas desta série foram analisados, 18 de agosto de 2026, o pedido de registro de Pablo Marçal constava como pendente de julgamento. O empresário conseguiu registrar a candidatura após uma decisão provisória relacionada à sua filiação partidária, mas, conforme o material analisado, ainda precisava reverter ou suspender decisões de inelegibilidade para permanecer efetivamente na disputa presidencial.

Por isso, esta análise considera o documento apresentado por um postulante à Presidência cujo registro, na data do levantamento, ainda dependia de decisão da Justiça Eleitoral.

É justamente essa diferença entre o que está escrito, o que tem mecanismo, o que possui orçamento e aquilo que ainda ficou sem resposta que o Política e Agro acompanha nesta série.

Porque, antes de escolher quem vai governar o Brasil, o produtor também precisa saber qual é o projeto de cada candidato para quem produz.

Quem quer governar o Brasil precisa dizer, antes da eleição, o que pretende fazer com o agro.

E o Política e Agro vai abrir cada plano para descobrir.

Nota metodológica: todos os programas desta série foram analisados pelo Política e Agro em 18 de agosto de 2026, considerando as propostas e documentos disponíveis até essa data. O programa de Pablo Marçal foi protocolado no próprio dia 18. Por isso, esta reportagem retrata o conteúdo disponível no momento da análise e poderá ser atualizada caso a candidatura complemente ou altere suas propostas. O pedido de registro de Marçal também aguardava julgamento da Justiça Eleitoral na data da análise. A série aplica os mesmos eixos aos presidenciáveis selecionados e não recomenda voto nem estabelece preferência eleitoral.

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